terça-feira, 30 de junho de 2015

O inverno

   O inverno já começou. Apesar de ter sido apenas um semestre, foi o suficiente para eu poder compreender e aplicar certas coisas pelo resto da minha vida. Por fim a faculdade não é um bicho de sete cabeças, as pessoas continuam lá, mas não precisam continuar fazendo parte da sua vida. A questão é muito maior. 

   Basicamente, a faculdade é um lugar feito de escolhas, onde tudo o que acontece com você não precisa ser permanente, você pode escolher o que quer manter e o que não. Por exemplo, na faculdade você tem total liberdade para matar aula e ir tomar cerveja. Você pode fazer isso, seus pais não receberão um e-mail, e seu coordenador não irá repreende-lo. Aí é que ta, vale a pena? Porque isso pode parecer interessante, mas e quando sua média não for atingida? O seu professor da faculdade não vai querer saber suas desculpas. Ou suponhamos que você seja um gênio, e passe de semestre magicamente, você no mínimo gastou dinheiro, tempo, algum conselho sábio que você usaria no futuro, no seu trabalho. Mas não irá, o cara que foi em todas as aulas e ouviu o conselho, ele vai provavelmente ser seu chefe, ou alguém mais qualificado que você para aquele trabalho que você tanto quer. 

   Afinal, não sejamos hipócritas. Esse povo que enche a boca para falar que faculdade não serve pra nada, se aprende mesmo é no trabalho, agora é hora de curtir, receio que estes se arrependerão profundamente, porque no fim, todos estamos na faculdade pra com sorte nos sairmos bem nesse mercado de trabalho que hoje, mais do que nunca, é uma máquina fabricante de soldados competitivos prontos para uma guerra onde se salva aquele que conseguir ganhar mais, ou aquele que for mais feliz fazendo o que faz. 

   Independente dessas superficialidades, sim, pois estão na superfície de toda a profundidade que envolve esse assunto, eu percebi que ninguém realmente quer ser o padrão universitário fútil que frequenta as festinhas. Todo mundo, consciente ou inconscientemente, quer se destacar de alguma forma, entre seus amigos, entre os professores, ninguém quer ser mais um. Só que muitos não sabem como faze-lo. Muitos querem um namoro sério, mas não aquela coisa convencional de colegial, as pessoas querem alguém que as faça companhia depois de uma semana de provas, querem alguém que faça parte de sua rotina, um alicerce. Claro que ninguém admite, é mais adequado dizer o quanto se é feliz pegando herpes. 

   Posso parecer pessimista, ácida, tola. Contudo, fato é que minhas falas tem fundamento, por conversar com pessoas em quem confio e que a mim confiam seus sentimentos, que me dizem suas inseguranças e suas vontades dentro da universidade. E, justamente por respeita-las, pude por fim perceber que são todas muito parecidas. As certezas e inseguranças de universitários do Rio ou de São Paulo são as mesmas, se não extremamente parecidas. Todos estamos aprendendo a viver.

   Por isso percebi que não é difícil escolher os amigos leais mesmo que estes não sejam os mais interessantes e cheios de entusiasmo, os que compartilharão das mesmas expectativas que você durante essa fase cada vez mais estarão mais próximos e aqueles que não, cada vez mais distantes evidentemente. Os hábitos podem sempre serem mudados, e o resultado será sempre esperado. As festas, serão inúmeras! Não há pressa nem necessidade para ir em todas elas, é sempre bom poupar seu fígado de vez em quando. Os romances são só pegas de balada, os namoros não são proibidos e a solidão pode sim ser uma opção. Na faculdade você pode sim ser egoísta e ainda assim ajudar os que te cercam, é tudo uma questão de refletir quem você é. 

   O problema não é errar, é repetir esse erro mil vezes.