domingo, 24 de maio de 2015

Acaso, escolhas e consequências

   Não sei muito bem sobre o acaso. Já fui muito adepta do grupo de pessoas que acredita piamente que as coisas acontecem por acaso. Mas essa ideia foi fundindo lentamente dentro de mim, me trazendo questionamentos de até onde estamos desvinculados do que acontece nas nossas vidas. Por exemplo, se eu tivesse achado um apartamento no meu primeiro mês em São Paulo eu nunca teria morado num hostel, nunca teria conhecido as pessoas que conheci aqui, desde uma veterana da minha faculdade, até um tatuador chileno, eu nunca nem teria ideia de que essas pessoas existem. Por um lado uns dirão que com certeza foi o acaso, afinal eu não achei nem um apartamento digno no começo da minha estadia em São Paulo porque eu "tinha que" conhecer esse povo todo. Outros dirão que não, foi uma escolha minha não procurar tão a fundo até achar o lugar ideal, e também fui eu a provedora da experiência de morar neste hostel e de conversar com estas pessoas.

    De qualquer forma não estou aqui para ser formadora de opiniões, mas acabei chegando numa prévia de uma possibilidade de conclusão de que a culpa se divide meio a meio. Por um lado a gente não consegue evitar certas coisas, e por outro a gente escolhe participar ou não das coisas que a vida nos apresenta. Era inevitável eu ter de passar um tempo lá até achar o meu apartamento, mas eu poderia optar por não me envolver ou nem mesmo trocar meia dúzia de palavras com as pessoas que por lá circularam. 



   Mas aí você lê e diz "porra, fodeu". Sim. Pra mim ficou claro que as escolhas da vida se tornam cada vez mais difíceis uma vez que você tem que escolher por coisas que, inevitavelmente, vão aparecer do nada na sua frente. Você nem imaginava que aquela situação estaria ali bem na sua frente, mas agora ela esta e você provavelmente não faz ideia de como lidar com ela e, se lidar, você tem ciência de que as consequências daquilo estão fora do seu controle, você ao mesmo tempo que escolhe o que o acaso te apresenta você não controla o que o futuro a partir dali tem pra te presentear. 

   As pessoas fazem mais do que simplesmente serem otimistas, elas  subestimam a loucura do mundo.   Por mais que existam Pierre Bordieu, Kant, Bauman e Sócrates, nenhum deles consegue realmente explicar, e assim te poupar, dos eventos da vida. Não é porque você lê todos eles que você se sente mais seguro ou mais sábio sobre o mundo, e se sim você se ilude. A real é que toda a filosofia, a sociologia tem papéis imprescindíveis dentro de cada um, mas pela busca de uma verdade, de um autoconhecimento, uma maior percepção sobre a delicadeza e fragilidade da natureza humana, mas em nenhum momento isso te faz imune às complicações da vida. Quem dera fizessem. 

    E eu vou terminar o texto assim: sem um final digno. Primeiro porque se alguém lê isso aqui, pode começar a pensar sobre essas coisas que eu penso e acabar tirando algo produtivo disso, diferente de mim. Segundo que eu tenho um trabalho horrível de marketing pra terminar e se eu continuar procrastinando, muito provavelmente as consequências não vão ser as melhores. Ah! Essas consequencias... hahaha. Adiós.





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