sábado, 3 de outubro de 2015

Seja você o copo cheio

Muitas vezes na vida a gente se sente completamente perdido, desolado, sem saber direito quem queremos ser e como devemos viver. Talvez esse sentimento nunca passe de vez, afinal estamos em constante construção de nossas opiniões e caminhos, nossos objetivos de vida podem facilmente mudar dependendo da conjuntura. Mas recentemente eu finalmente consegui entender uma coisa: Mesmo com todas as mudanças, a essência permanece, bem no fundo nós temos certas características que pertencem somente a nós mesmos, e conhecê-las, SE conhecer é extremamente importante!

Existem diversos motivos pelos quias nós somos  impedidos de entrar em contato com nosso "verdadeiro eu", e um deles é o nosso constante apego às pessoas ao nosso redor. Nós não nos damos tempo suficiente para ficar sozinhos, para se conhecer, para descobrir quem somos sem as pessoas que nos cercam. Elas com certeza fazem parte de quem somos, mas elas não nos compõem inteiramente. Principalmente em se tratando do quesito amor/paixão esse fato se torna bem evidente. Eu claramente posso usar o exemplo da minha vida para falar sobre isso.

Por muitos anos eu namorei, quase quatro anos na verdade, e na minha idade pode-se dizer que isso é muito coisa!. Com apenas 15 anos eu comecei, e fui terminar apenas com 18. Normalmente é nesse período, dos 15 aos 18, que nós começamos a nos formar como gente, ganhar consciência, formar nossas opiniões com maior embasamento, nos envolver com as pessoas, é nesse período que começamos a pensar de fato por nós mesmos, quebrando um pouco da influência quase que ditatorial que nossos pais têm sobre nós, e estando namorando por todo esse tempo eu acabei perdendo um pouco de toda essa construção.

Claro que eu não julgo esse tempo como perdido, mas estar com alguém o tempo todo me fez perder um pouco do contato comigo mesma. Não era EU isso ou EU aquilo, era sempre NÓS! E talvez isso seja só comigo mesmo, mas devido a todo este contexto eu nunca realmente aprendi a ficar sozinha, até tinha medo disso, parecia assustador não ter pra quem contar sobre o dia ou dar boa noite. Mas, depois de algum tempo eu percebi como isso era só um monte de besteira! É lógico que ninguém quer ficar sozinho pra sempre, mas exercer isso é imprescindível para que você de fato aprenda sobre você mesmo!

                                                                     
 Você  as vezes é como um copo pela metade.
 Não tente preenchê-lo com outras pessoas.
 Seja você mesmo o copo cheio, e quem tiver que entrar na sua vida,                                                que entre apenas para te transbordar e não para te completar!                                                                                               


terça-feira, 7 de julho de 2015

Pais

   Desde que nos entendemos por gente somos parte de uma família, esta que por um bom tempo, ou melhor, até não conseguirem mais evitar, nos priva de saber os podres e as desgraças da vida a dois. Porém, como eu mesma disse, nossos pais não conseguem por mais que dezessete ou dezoito anos. As coisas aparecem, nos afetam. Só não vê quem não quer e está muito imune da sua família para se afetar com isso. Fato é que sempre tem alguma coisa na relação deles que não nos agrada. 
   
   No começo pode ser meio desagradável, desconfortável, mas logo pensamos que em pouco tempo a gente não vai mais estar ali mesmo, eu não vou mais ter que me incomodar. Se engana. Aquilo te consome, todos os finais de semana são uma prova de que aquilo não acabou, e você até insiste que é uma questão de tempo, quando não é. 

   Aí quando o assunto da mesa é "pais", você logo prepara aquele roteiro de 'as melhores coisas' e 'as menos piores', porque realmente nessas conversas parece que os pais de todo mundo são muito incríveis. Ou pior, quando a roda é de amigos de longa data onde você não pode de jeito nenhum desconstruir a ideia que eles tem dos seus pais, por toda aquela coisa de se sentir na obrigação quase que inconsciente de defendo-los. Afinal, ninguém vai conseguir entender as falhas deles e o porquê delas como você, não é?

   Mas será que você entende mesmo? É como se entendesse, mas na realidade esse sentimento não é de um entendimento profundo sobre os sentimentos daqueles que te colocaram nesse mundo, muito menos uma sensibilidade sua sobre todas aquelas decepções e defeitos que eles expressam no olhar, mas sim uma compreensão por você ter sentido sempre tudo aquilo que eles tentaram esconder. As brigas que você escutava da sua cama que aconteciam na sala, os gritos reprimidos em sussurros estressados, seus pais sem se falar direito dizendo que estava "tudo normal", sua mãe berrando com você porque você deixou cair uma gota de chocolate no sofá, sem saber que cinco minutos antes ela estava fula da vida ao telefone com o seu pai. 

   Tudo isso a gente sente, apesar de mentirmos pra nós mesmos, a gente sente junto, vive junto, sofre junto e, as vezes, até supera junto. Não da pra esconder, não da pra poupar, a gente esta sempre ali na vida deles e eles na nossa. Não podia ser diferente! Eles que nos fizeram e, de forma impecável ou lamentável, nós querendo ou não, eles que nos criaram. Essa é a base de referência que a gente tem pra nossa vida, pra nossas atitudes e principalmente pra nossa futura vida a dois. 

   Mas eles nunca vão suportar essa incompetência de não poder nos poupar, ou de não poder evitar nossos julgamentos. Por isso nós continuamos fingindo que acreditamos na pacificidade da relação deles (mesmo sabendo ser uma paz armada), as vezes explodindo e colocando umas verdades na mesa, mas na maioria das vezes respeitando o desejo deles de que nesse turbilhão de conquistas e frustrações que eles compartilham, nós ainda confiemos neles o papel de nosso porto seguro. 

terça-feira, 30 de junho de 2015

O inverno

   O inverno já começou. Apesar de ter sido apenas um semestre, foi o suficiente para eu poder compreender e aplicar certas coisas pelo resto da minha vida. Por fim a faculdade não é um bicho de sete cabeças, as pessoas continuam lá, mas não precisam continuar fazendo parte da sua vida. A questão é muito maior. 

   Basicamente, a faculdade é um lugar feito de escolhas, onde tudo o que acontece com você não precisa ser permanente, você pode escolher o que quer manter e o que não. Por exemplo, na faculdade você tem total liberdade para matar aula e ir tomar cerveja. Você pode fazer isso, seus pais não receberão um e-mail, e seu coordenador não irá repreende-lo. Aí é que ta, vale a pena? Porque isso pode parecer interessante, mas e quando sua média não for atingida? O seu professor da faculdade não vai querer saber suas desculpas. Ou suponhamos que você seja um gênio, e passe de semestre magicamente, você no mínimo gastou dinheiro, tempo, algum conselho sábio que você usaria no futuro, no seu trabalho. Mas não irá, o cara que foi em todas as aulas e ouviu o conselho, ele vai provavelmente ser seu chefe, ou alguém mais qualificado que você para aquele trabalho que você tanto quer. 

   Afinal, não sejamos hipócritas. Esse povo que enche a boca para falar que faculdade não serve pra nada, se aprende mesmo é no trabalho, agora é hora de curtir, receio que estes se arrependerão profundamente, porque no fim, todos estamos na faculdade pra com sorte nos sairmos bem nesse mercado de trabalho que hoje, mais do que nunca, é uma máquina fabricante de soldados competitivos prontos para uma guerra onde se salva aquele que conseguir ganhar mais, ou aquele que for mais feliz fazendo o que faz. 

   Independente dessas superficialidades, sim, pois estão na superfície de toda a profundidade que envolve esse assunto, eu percebi que ninguém realmente quer ser o padrão universitário fútil que frequenta as festinhas. Todo mundo, consciente ou inconscientemente, quer se destacar de alguma forma, entre seus amigos, entre os professores, ninguém quer ser mais um. Só que muitos não sabem como faze-lo. Muitos querem um namoro sério, mas não aquela coisa convencional de colegial, as pessoas querem alguém que as faça companhia depois de uma semana de provas, querem alguém que faça parte de sua rotina, um alicerce. Claro que ninguém admite, é mais adequado dizer o quanto se é feliz pegando herpes. 

   Posso parecer pessimista, ácida, tola. Contudo, fato é que minhas falas tem fundamento, por conversar com pessoas em quem confio e que a mim confiam seus sentimentos, que me dizem suas inseguranças e suas vontades dentro da universidade. E, justamente por respeita-las, pude por fim perceber que são todas muito parecidas. As certezas e inseguranças de universitários do Rio ou de São Paulo são as mesmas, se não extremamente parecidas. Todos estamos aprendendo a viver.

   Por isso percebi que não é difícil escolher os amigos leais mesmo que estes não sejam os mais interessantes e cheios de entusiasmo, os que compartilharão das mesmas expectativas que você durante essa fase cada vez mais estarão mais próximos e aqueles que não, cada vez mais distantes evidentemente. Os hábitos podem sempre serem mudados, e o resultado será sempre esperado. As festas, serão inúmeras! Não há pressa nem necessidade para ir em todas elas, é sempre bom poupar seu fígado de vez em quando. Os romances são só pegas de balada, os namoros não são proibidos e a solidão pode sim ser uma opção. Na faculdade você pode sim ser egoísta e ainda assim ajudar os que te cercam, é tudo uma questão de refletir quem você é. 

   O problema não é errar, é repetir esse erro mil vezes. 


domingo, 24 de maio de 2015

Acaso, escolhas e consequências

   Não sei muito bem sobre o acaso. Já fui muito adepta do grupo de pessoas que acredita piamente que as coisas acontecem por acaso. Mas essa ideia foi fundindo lentamente dentro de mim, me trazendo questionamentos de até onde estamos desvinculados do que acontece nas nossas vidas. Por exemplo, se eu tivesse achado um apartamento no meu primeiro mês em São Paulo eu nunca teria morado num hostel, nunca teria conhecido as pessoas que conheci aqui, desde uma veterana da minha faculdade, até um tatuador chileno, eu nunca nem teria ideia de que essas pessoas existem. Por um lado uns dirão que com certeza foi o acaso, afinal eu não achei nem um apartamento digno no começo da minha estadia em São Paulo porque eu "tinha que" conhecer esse povo todo. Outros dirão que não, foi uma escolha minha não procurar tão a fundo até achar o lugar ideal, e também fui eu a provedora da experiência de morar neste hostel e de conversar com estas pessoas.

    De qualquer forma não estou aqui para ser formadora de opiniões, mas acabei chegando numa prévia de uma possibilidade de conclusão de que a culpa se divide meio a meio. Por um lado a gente não consegue evitar certas coisas, e por outro a gente escolhe participar ou não das coisas que a vida nos apresenta. Era inevitável eu ter de passar um tempo lá até achar o meu apartamento, mas eu poderia optar por não me envolver ou nem mesmo trocar meia dúzia de palavras com as pessoas que por lá circularam. 



   Mas aí você lê e diz "porra, fodeu". Sim. Pra mim ficou claro que as escolhas da vida se tornam cada vez mais difíceis uma vez que você tem que escolher por coisas que, inevitavelmente, vão aparecer do nada na sua frente. Você nem imaginava que aquela situação estaria ali bem na sua frente, mas agora ela esta e você provavelmente não faz ideia de como lidar com ela e, se lidar, você tem ciência de que as consequências daquilo estão fora do seu controle, você ao mesmo tempo que escolhe o que o acaso te apresenta você não controla o que o futuro a partir dali tem pra te presentear. 

   As pessoas fazem mais do que simplesmente serem otimistas, elas  subestimam a loucura do mundo.   Por mais que existam Pierre Bordieu, Kant, Bauman e Sócrates, nenhum deles consegue realmente explicar, e assim te poupar, dos eventos da vida. Não é porque você lê todos eles que você se sente mais seguro ou mais sábio sobre o mundo, e se sim você se ilude. A real é que toda a filosofia, a sociologia tem papéis imprescindíveis dentro de cada um, mas pela busca de uma verdade, de um autoconhecimento, uma maior percepção sobre a delicadeza e fragilidade da natureza humana, mas em nenhum momento isso te faz imune às complicações da vida. Quem dera fizessem. 

    E eu vou terminar o texto assim: sem um final digno. Primeiro porque se alguém lê isso aqui, pode começar a pensar sobre essas coisas que eu penso e acabar tirando algo produtivo disso, diferente de mim. Segundo que eu tenho um trabalho horrível de marketing pra terminar e se eu continuar procrastinando, muito provavelmente as consequências não vão ser as melhores. Ah! Essas consequencias... hahaha. Adiós.





domingo, 17 de maio de 2015

Paixão no século da efemeridade

   Se na época dos nossos avós a paixão já era coisa passageira, o que será dessa coitada nos dias de hoje? Sim, hoje a minha postagem tem um tom mais "mela cueca" (nada minha cara), mas é merecido. Merecido porque recentemente eu fui fisgada pela paixão e há muito tempo não lembrava como ela é filha da puta.

   O acaso sempre brinca com a gente quando menos esperamos. Pode reparar. Dessa vez fui eu a escolhida, numa noite de quinta-feira enquanto tragava minhas dores semanais. Olhei pra minha diagonal e um cara na mesa do lado fazia exatamente a mesma coisa, seja por dor ou felicidade, ele tragava a vida com ansiedade toda vez que os nossos olhares se cruzavam. 

   De prima não me senti completamente atraída, não achei ele o mais lindo dos homens, mas bonitinho, charmoso e com potencial confesso que sim. Meia dúzia de olhares tímidos foram o suficiente pra ele sair da mesa e confesso que pensei "bosta, não foi dessa vez". Tudo assim rápido, sem muita margem pra pensamento, fim. Fim? Imagine, se eu que estava atolada de trabalho pra fazer me senti intrigada com aquela troca de olhares, imagine ele que não estava fazendo porra nenhuma, e óbvio queria fazer a boa. 

   "Você joga sinuca?" "Sim, e você?" Não, imbecil. Ele perguntou porque estava fazendo uma enquete. Ok o começo não foi tão bom assim, eu por estar cansada da vida e da faculdade e dos amigos e da falta de grana me senti meio intimidada, ao mesmo tempo que tentada por aquele convite. Então começaram as conversas, e eu que não via muito futuro naquilo fui de forma despretenciosa sendo amaciada. Sim, o cara era bom. Ele viu que aquele convite que ele fez e todo o papo furado de "vamos nos conhecer" eram tentativas, quase que um desafio. Filho da puta. 

   Nessa de me desconcentrar no jogo de sinuca porque o jogo de sedução estava com certeza mil vezes mais interessante, me vi falando muito, falando o que eu penso de verdade, como nunca fiz com alguém que eu acabei de conhecer. Ou com qualquer pessoa, nem mesmo meus pais. Nada de muito comprometedor, mas eu me senti leve, falando sobre coisas leves. E ele, não sei se abriu-se ou se me enganou (risos), só sei que me contou coisas incríveis, compartilhou de ideias e opiniões, me ouviu e se abriu, conversou. Conversa, coisa esta que tem sido muito rara em qualquer ambiente, com qualquer pessoa. A gente conversou. 

   A noite, depois no café da manhã. Aquele olhar que buscava o meu, aquela mão gentil, aquele sorriso leve e sorrateiro. Aquele beijo e aquele abraço de tchau. Saí para a entrevista que eu tinha de fazer numa agência, logo depois fui pra aula, depois conversei com uma amiga, enfim cheguei na casa da minha avó pra passar a noite. Tudo foi passando. Menos ele.

   As primeiras mensagens foram expressivas, eu me empolguei, ele se expôs, como todo começo de troca de mensagens; a gente nunca sabe exatamente como lidar. Mas eu sentia ele cada vez mais forte dentro de mim, como se eu alimentasse esse sentimento cada vez que eu lembrava de um detalhe, de uma gentileza. "Quando eu for pra São Paulo", disse. Não cheguei a me animar, mas a imaginar sim. Eu estava no auge da paixão, bêbada de tanto tomar doses de desejo por aquele homem. O sorriso de quem sonha acordada se tornava calafrio de quem esta com o corpo quente. E eu confesso que me permiti, odeio essa geração merda da pressa, eu queria curtir aquela sensação mesmo que fosse curtir uma fossa um pouco mais profunda depois.

   As coisas foram esfriando. Caindo. Escapando. Morrendo. Hoje em dia ninguém tem saco pra se apaixonar, pra se ludibriar, pra sonhar, criar mundos e fundos mesmo que seja pra acabar sofrendo. Porque as pessoas estão muito apegadas ao futuro, ao que vai acontecer. Ninguém quer sentir saudades, sair da zona de conforto, quebrar barreiras tanto territoriais quanto sentimentais pra viver algo novo. O novo é desconhecido, pode te foder. Ninguém quer se foder. Não vou ser hipócrita e dizer que eu superei esses medos e por isso dou um voto de confiança no amor. Muito pelo contrário, sou a pessoa que mais tem passado tempo evitando esse tipo de coisa. Mas eu acho que esta mais que na hora de se permitir um pouco mais. De me permitir. 

   Mesmo que essa minha paixão tenha me deixado na merda, e ainda deixa, e apesar de eu me pegar pensando nisso, pensando nele, pensando no quanto ele me afetou em tão pouco tempo, não é esse cara que esta mexendo comigo, mas sim tudo o que eu construí em cima dessa situação, tudo que eu senti de novo, tudo que eu senti pela primeira vez, tudo o que eu quero sentir mais vezes. É uma bosta sentir um desejo maluco por uma pessoa e ela não estar ali? É, mas você aprende que da pra ir tomar um chopp com as amigas quando isso acontece. É horrível querer voltar no tempo? É, mas você se surpreende com as coisas que o futuro acaba trazendo, então sempre tem solução. 

   A paixão não é só lado ruim, ela não dura pra sempre, ela pode sim ser a porta pra uma fossinha amorosa, mas ela também pode ser a porta pro amor, não só esse amor de relacionamento que vocês ouvem falar, mas o amor por coisas pequenas, e por mais que falando isso eu não possa ser mais clichê, no fim a paixão é como uma droga (literalmente): depois de toda a good trip, de toda a sensação boa, daquela experiência de êxtase absoluto, quando passa o efeito vem a bad, uma sensação de impotência, mas que no fim passa e você não precisa depender daquela droga pra sempre.

   Então, independente de pra quem eu esteja escrevendo isso, você aí que ta lendo (ou não quis chegar até o fim desse texto mela cueca), eu sei como é uma merda uma época em que ser romântico é ser trouxa e se apaixonar significa dar uns amassos na balada e depois nunca mais se ver na vida, mas não é o que acontece aí fora que realmente importa. Se você quer se apaixonar e quer que isso dure mais que dois dias úteis, se você quer namorar, se quer dar sempre pra mesma pessoa por mais que um mês, vá fundo. Nada te impede, não é isso que vai te matar nem te impedir de conhecer alguém novo. Se hoje em dia esta na moda a quebra de modinhas, não tenha medo de ser menos um nesse mainstream de gente anestesiada. Seja quente, ame, foda, se foda. It all shall be ok.


sábado, 2 de maio de 2015

O dia em que eu sai de casa

Ouvi dizer eu escrever faz bem. Que quando tudo parece completamente fudido apenas o ato de colocar tudo no papel faz as coisas ficarem melhor. Na verdade isso provavelmente é muita mentira. Mas por que escrever então? Eu realmente não sei, mas parece uma boa ideia começar.

Eu achei que essa nova fase da minha vida ia ser perfeita: A FACULDADE. A tão sonhada liberdade finalmente alcançada! Morar sozinha, muitas festas, conhecer muita gente nova, curtir muito! Qual será que foi a parte que eu calculei errado? Porque de perfeita essa porra não tem nada!

Há algum tempo atrás eu sabia exatamente (ou quase isso) quem eu era, o que eu queria ser e como eu deveria agir. Agora nem perto disso. Por mais clichê que pareça a pergunta: “quem sou eu?" permanece no ar. Lidar com essa nova fase está realmente afetando tudo na minha vida. Ok, tudo realmente mudou: nova cidade, nova moradia, novos amigos, novas experiências. Mas o que eu não imaginava era uma mudança tão grande em mim mesma.

Os limites que sempre foram impostos a mim já não existem mais. Por mais que eu encontre muitas limitações como a tão latente falta de dinheiro (típica dos universitários), eu meio que estou lidando da minha própria vida agora, sem tantas barreiras para impedir a minha "vontade". Não tem mais meus pais, meus amigos ou até meu (ex-) namorado pra me dizer o que fazer ou como agir. Eu finalmente tenho entendido agora, o significado de fazer as próprias escolhas, e como elas trazem as tão temidas consequências.


Escolhas erradas fazem parte, ok. Mas o que fazer quando todas as suas escolhas estão se mostrando completamente erradas? Quando tudo o que você tem feito tem trazido consequências de tamanha proporção que fica impossível saber como agir? Pois é, é assim que as coisas estão no momento (por mais dramático que isso pareça), apenas catando os caquinhos dos estragos de minha autoria.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Je m'en fous du passé

   A gente sempre quer fazer alguma coisa que valha a pena. Talvez nem sempre, mas na maioria dos casos a gente espera por algum tipo de reconhecimento. Eu sempre quis, sempre lutei pra ter coisas que eu queria. "Nossa que batalhadora", porra nenhuma. Eu sempre lutei pelo mais fácil, afinal a gente sempre sabe quando vai ou não conseguir alguma coisa, cabe a gente saber que quando não vamos ter sucesso, ainda podemos lutar por ele e podemos nos surpreender, mas particularmente o caminho mais fácil sempre foi motivo de orgulho perante as minhas conquistas.

   Mas aí chega aquela fase filha da puta da vida; a faculdade. E aí vem a típica frase mela cueca: mas essa é a melhor fase da sua vida! Claro que é, seu inútil. Mas tudo tem seus dois lados e esse êxtase do lado bom da faculdade também traz uma puta hybris quando se trata das coisas ruins desse período. Você é um otário, procurando fazer alguma coisa que te deixe menos pobre, tentando sobreviver (ou cair de boca) às tentações da vida, querendo sair trepando por aí mas desejando desesperadamente alguém que seja seu porto seguro depois de você ter dormido apenas 2h porque tinha um trabalho de economia pra fazer. Por isso filha da puta: a melhor fase da sua vida te traz questões tão absurdas e comprometedoras que você acaba por ter que fazer escolhas que, na maioria das vezes, vão ser as escolhas erradas.

   Por isso hoje eu pensei "vou fazer um blog, nem que seja a coisa mais inútil e imbecil da minha vida", pelo menos assim eu vou ter onde meter o xablau da loucura que é a minha vida, dentro da faculdade, sem me preocupar com o que quem for ler, ou quem nem sequer souber da existência disso, vai pensar.